Como manter os alunos envolvidos durante toda a aula? Como tornar as transições entre atividades mais naturais? E, principalmente, como escolher estratégias que realmente façam sentido para cada turma?
Essas foram algumas das reflexões que conduziram a masterclass com Renata Borges, professora com 22 anos de experiência e ampla atuação no desenvolvimento de materiais educacionais e na formação de professores.
Ao longo do encontro, educadores puderam compartilhar experiências, esclarecer dúvidas e conhecer estratégias para tornar as aulas mais dinâmicas, envolventes e conectadas à realidade dos estudantes.
Engajamento vai além de manter a atenção
Um dos pontos centrais da masterclass foi a importância de compreender o engajamento para além da ideia de simplesmente manter os alunos atentos.
Especialmente quando falamos sobre crianças, aprender envolve participar, experimentar, brincar, cantar, ouvir histórias, interagir e criar relações com aquilo que está sendo apresentado.
Por isso, recursos como músicas, histórias e jogos podem ser grandes aliados do professor. Eles aproximam o aprendizado da realidade da criança e criam oportunidades para que o idioma seja vivenciado de maneira mais espontânea.
Durante a conversa, Renata trouxe uma reflexão interessante: quando ensinamos adultos, buscamos relacionar as atividades a situações reais, como escrever um e-mail, participar de uma reunião ou fazer uma apresentação. Com as crianças, o princípio é o mesmo — mas a realidade delas é diferente.
Afinal, crianças brincam, cantam, contam histórias, imaginam e exploram.
Trazer essas experiências para a aula significa criar pontes entre aquilo que o aluno já conhece e o novo conhecimento que está construindo.
O conhecido pode ser uma ponte para o novo
Uma das perguntas compartilhadas durante a masterclass trouxe justamente essa questão.
Um professor contou que, ao trabalhar uma música em inglês com seus alunos, utilizou como referência uma melodia que as crianças já conheciam em português. A estratégia funcionou, mas surgiu a dúvida: esse seria um caminho adequado?
A reflexão apresentada por Renata mostrou que recorrer a elementos familiares pode, sim, ser uma estratégia interessante.
Quando a criança já conhece a melodia, por exemplo, existe uma demanda a menos durante a atividade: em vez de aprender simultaneamente uma nova música, uma nova melodia e novas palavras, ela pode concentrar sua atenção na letra em inglês.
Mas isso não significa que todas as músicas precisem ser previamente conhecidas.
Mesmo diante de algo completamente novo, as crianças podem aprender por meio da repetição e da participação. Elas escutam, observam, dançam, tentam acompanhar e, depois de algumas repetições, começam naturalmente a cantar junto.
O mais importante é criar oportunidades para que o aluno participe do idioma, mesmo antes de compreender cada palavra.
Transições também fazem parte da experiência de aprendizagem
Outro tema importante do encontro foi a construção de um bom fluxo durante a aula.
Uma aula envolvente não depende apenas de boas atividades isoladas. A maneira como o professor conduz a turma de um momento para outro também influencia diretamente a participação dos estudantes.
Músicas, jogos, histórias, comandos, rotinas e outros recursos podem ajudar a sinalizar mudanças e criar transições mais fluidas entre as propostas.
Quando existe intencionalidade nessa organização, a aula deixa de parecer uma sequência de tarefas desconectadas e passa a proporcionar uma experiência mais coerente para o aluno.
Não existe uma única estratégia que funcione para todas as turmas
Talvez uma das principais mensagens da masterclass tenha aparecido justamente no encerramento.
Renata destacou a importância de olhar para os estudantes como indivíduos, e não apenas como um grupo a ser conduzido.
Um professor pode conhecer dezenas de técnicas de engajamento. Pode ter um repertório repleto de músicas, jogos, histórias e diferentes propostas. Ainda assim, nenhuma estratégia será universal.
Uma atividade que desperta grande participação em determinada turma pode não gerar o mesmo resultado em outra.
Por isso, conhecer os estudantes é parte fundamental do trabalho pedagógico: observar como respondem às propostas, entender seus interesses, reconhecer suas individualidades e adaptar as estratégias sempre que necessário.
Mais do que acumular recursos, portanto, é preciso desenvolver um olhar atento sobre quando, como e com quem utilizá-los.
Aprender, compartilhar e levar para a sala de aula
Além dos conteúdos apresentados, a masterclass proporcionou um espaço de troca entre educadores. Perguntas e experiências reais de sala de aula ajudaram a aproximar a discussão da prática e mostraram que muitos dos desafios vivenciados pelos professores também podem se transformar em oportunidades de aprendizagem coletiva.
O encontro terminou com uma mensagem que sintetiza bem toda a conversa: boas estratégias começam pelo conhecimento dos alunos.
Quando o professor compreende quem está diante dele, recursos como músicas, histórias, jogos e transições deixam de ser apenas ferramentas para “animar” a aula e passam a cumprir uma função pedagógica muito mais importante: criar experiências de aprendizagem nas quais os estudantes realmente queiram participar.
E é justamente nessa combinação entre intencionalidade, repertório e olhar para cada aluno que uma aula pode se tornar mais significativa, dinâmica e envolvente.


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