“Bilingualism is not about control, it is about connection.”
Valéria do Rego Barros

As escolas parceiras do High Five contam com um diferencial que amplia ainda mais a formação de seus educadores: o Masterclass High Five, uma série de mentorias e encontros formativos com especialistas nacionais e globais da área da educação, bilinguismo e desenvolvimento infantil.

O objetivo é proporcionar troca de experiências, atualização pedagógica e discussões práticas sobre os desafios e transformações da educação contemporânea.

Nesta edição, recebemos Valéria do Rego Barros, mestre em bilinguismo e especialista em ensino de línguas, para uma conversa inspiradora sobre o tema:

“Muito Além do Inglês: Educação Bilíngue na Prática”

Ao longo do encontro, Valéria trouxe uma reflexão essencial para escolas, professores e famílias:

“É possível ser um ótimo aluno nas aulas de inglês e ainda assim ter dificuldade para se comunicar?”

A partir dessa provocação, a especialista mostrou por que a educação bilíngue contemporânea vai muito além do ensino tradicional de idiomas.

O que realmente significa aprender uma língua?

Segundo Valéria, aprender um idioma não acontece apenas através do estudo consciente das regras. A verdadeira aquisição linguística ocorre por meio de:

  • • exposição significativa;
  • • interação constante;
  • • contexto real;
  • • segurança emocional;
  • • comunicação autêntica.

Ela cita a teoria de Stephen Krashen, que diferencia learning (aprender sobre a língua) de acquisition (adquirir naturalmente a língua através do uso).

Na prática, isso significa que crianças aprendem melhor quando:

  • • brincam;
  • • escutam histórias;
  • • cantam;
  • • interagem;
  • • resolvem problemas;
  • • fazem perguntas;
  • • experimentam sem medo de errar.

Porque, antes de aprender “sobre” a língua, elas precisam viver a língua.


Educação bilíngue não é tradução: é experiência

Um dos pontos centrais da palestra foi mostrar que a educação bilíngue não consiste em “traduzir conteúdos” ou ensinar inglês isoladamente.

O idioma passa a ser utilizado como ferramenta para aprender matemática, ciências, arte, cultura e habilidades socioemocionais.

Nesse modelo:

  • • o foco deixa de ser apenas a gramática;
  • • o estudante participa ativamente;
  • • a comunicação ganha significado;
  • • o erro deixa de ser um problema e passa a fazer parte do processo.

“Making mistakes is part of the process.”
(Cometer erros faz parte do processo.)

Essa mudança de perspectiva impacta diretamente a confiança dos alunos e sua capacidade de se comunicar de forma espontânea.


Muito além da fluência: desenvolvimento integral

Outro aspecto importante levantado por Valéria é que a educação bilíngue não forma apenas falantes de inglês.

Ela contribui para o desenvolvimento:

  • • cognitivo;
  • • emocional;
  • • social;
  • • cultural;
  • • criativo.

Ao entrar em contato com diferentes culturas e formas de pensar, os estudantes ampliam sua visão de mundo e desenvolvem habilidades fundamentais para o século XXI, como:

  • • pensamento crítico;
  • • colaboração;
  • • autonomia;
  • • resolução de problemas;
  • • comunicação intercultural.

“O programa bilíngue desenvolve curiosidade, criatividade e, acima de tudo, pensamento crítico.”


O papel da escola e da família no processo

Um tema que gerou bastante discussão foi a ansiedade das famílias em relação ao aprendizado da segunda língua.

Muitos pais esperam resultados imediatos e associam fluência apenas à fala rápida e perfeita. Mas, segundo Valéria, o processo linguístico acontece em etapas.

Primeiro, a criança:

  1. • escuta;
  2. • compreende;
  3. • ganha confiança;
  4. • começa a se expressar.

Por isso, a parceria entre escola e família é essencial.

A comunicação precisa ser:

  • • clara;
  • • acolhedora;
  • • frequente;
  • • alinhada às expectativas reais do desenvolvimento bilíngue.

A sala de aula bilíngue precisa ser viva

Durante a masterclass, também foram compartilhadas estratégias práticas para tornar o ambiente mais significativo e envolvente:

  • • jogos;
  • • dramatizações;
  • • projetos;
  • • músicas;
  • • desafios;
  • • atividades colaborativas;
  • • uso de tecnologia;
  • • criação de quizzes pelos próprios alunos.

A ideia central é simples:
o estudante precisa participar mais do que apenas assistir.

“We teachers talk too much.”
(Nós, professores, falamos demais.)

Na educação bilíngue, o protagonismo do aluno é indispensável.


Educação bilíngue é construção de identidade

Mais do que ensinar palavras, a educação bilíngue ajuda crianças e jovens a se tornarem comunicadores independentes, capazes de transitar entre culturas, ideias e contextos diferentes.

Ela cria conexões.

Amplia possibilidades.

E prepara estudantes para um mundo cada vez mais global, diverso e colaborativo.

Porque aprender inglês não é apenas falar outro idioma.

É aprender novas formas de pensar, sentir, criar e se relacionar com o mundo.